sábado, 30 de abril de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Altamiro Borges: Um traidor para chamar de seu
Altamiro Borges: Um traidor para chamar de seu: Por Jandira Feghali É sabido que a História não perdoa os traidores. De Brutus a Silvério dos Reis, a traição figura com uma marca registra...
Altamiro Borges: O Brasil dos dois pesos e duas medidas
Altamiro Borges: O Brasil dos dois pesos e duas medidas: Por Fernando Brito, no blog Tijolaço : Liga um amigo gozador e diz que a democracia no Brasil deveria ser aferida pelo Instituto de Pesos ...
Altamiro Borges: O impeachment e a sua agenda oculta
Altamiro Borges: O impeachment e a sua agenda oculta: Por Marcos Verlaine, no site do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar ( Diap ): Muito tem se falado e especulado sobre um po...
1º de maio unificado: Confira a agenda de mobilizações pelo país - Portal Vermelho
1º de maio unificado: Confira a agenda de mobilizações pelo país - Portal Vermelho: Contra o golpe um curso no país e a ameaça real aos direitos da classe trabalhadora e à democracia, o 1º de maio desse ano será de unidade entre os movimentos sociais. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, convocaram uma série de atividades políticas e culturais, em todo país, para dizer não ao retrocesso e ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Centrais anunciam paralisação contra o golpe para 10 de maio - Portal Vermelho
Centrais anunciam paralisação contra o golpe para 10 de maio - Portal Vermelho: A terça-feira, 10 de maio, será o dia nacional de Paralisação e Mobilização contra o golpe. A data foi decidida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Intersindical e faz parte do calendários de atividades de pressão sobre os senadores que vão votar a admissibilidade do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. A organização para o ato deve começar imediatamente com a coordenação da Frente Brasil Popular nos Estados.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Altamiro Borges: A omissão do STF no golpe em curso
Altamiro Borges: A omissão do STF no golpe em curso: Por Antonio Lassance, em seu blog : Se o Supremo Tribunal Federal fala que não há golpe em curso, quem somos nós para discordar? Na ver...
Altamiro Borges: As esperanças frágeis do golpista FHC
Altamiro Borges: As esperanças frágeis do golpista FHC: Por José Carlos Ruy, no site Vermelho : O repórter Murilo Ramos escreveu no site da revista Época, neste domingo (24), que o PSDB parec...
Altamiro Borges: O casal que desmascarou o golpe e a Globo
Altamiro Borges: O casal que desmascarou o golpe e a Globo: Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : Se você é esperto, tem habilidades e possui os meios, você deve foder os poder...
terça-feira, 26 de abril de 2016
Altamiro Borges: Serra arrasta o PSDB para Temer
Altamiro Borges: Serra arrasta o PSDB para Temer: Por Fernando Brito, no blog Tijolaço : Depois da pantomima do encontro com Paulo Skaf, da Fiep, Michel Temer teve a reunião que “valeu”...
Altamiro Borges: Zé de Abreu e os "gastrofascistas"
Altamiro Borges: Zé de Abreu e os "gastrofascistas": Por Leandro Fortes, em sua página no Facebook : A doença infantil do antipetismo criou, no Brasil, a figura do fascista de restaurante....
Altamiro Borges: O regime de força já respira entre nós
Altamiro Borges: O regime de força já respira entre nós: Por Saul Leblon, no site Carta Maior : A barbárie já respira entre nós. Da leitura atenta dos jornais, em ordem e com atenção inversa à...
Altamiro Borges: Governo Temer/Cunha já nascerá morto!
Altamiro Borges: Governo Temer/Cunha já nascerá morto!: Por Altamiro Borges O vice-presidente Michel Temer, o Judas, ficou bastante animado com a aprovação do impeachment de Dilma na vergonho...
Altamiro Borges: Golpe em curso: Bem pior que 64!
Altamiro Borges: Golpe em curso: Bem pior que 64!: Por Mino Carta, na revista CartaCapital : Um filme intitulado Sem Evidências enfeitou a programação de uma HBO a cabo na noite de domi...
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Altamiro Borges: O significado da cuspida de Zé de Abreu
Altamiro Borges: O significado da cuspida de Zé de Abreu: Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : A cuspida de Zé de Abreu num imbecil que o xingou num restaurante em São Paulo...
Altamiro Borges: O que pesa contra Temer na Lava-Jato
Altamiro Borges: O que pesa contra Temer na Lava-Jato: Da revista CartaCapital : No domingo, 17, a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff . Por 367...
Altamiro Borges: A ponte para o passado dos golpistas
Altamiro Borges: A ponte para o passado dos golpistas: Por Luiz Gonzaga Belluzzo e Gabriel Galípolo, no site Carta Maior : Os neurônios dos impichadores emitem certezas dos maníacos-obsessi...
Altamiro Borges: O escracho na casa de Temer em Brasília
Altamiro Borges: O escracho na casa de Temer em Brasília: Da revista Fórum : Um grupo de manifestantes realiza, nesta tarde de sábado (23), um protesto em frente ao Palácio do Jaburu, residênci...
Altamiro Borges: "O golpe é contra os pobres"
Altamiro Borges: "O golpe é contra os pobres": Por Paulo Moreira Leite, em seu blog : Economista formada pela Universidade Federal de Uberlândia, Tereza Campello participou da criaçã...
domingo, 24 de abril de 2016
Altamiro Borges: O significado da cuspida de Zé de Abreu
Altamiro Borges: O significado da cuspida de Zé de Abreu: Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : A cuspida de Zé de Abreu num imbecil que o xingou num restaurante em São Paulo...
Altamiro Borges: A falácia do decano Celso de Mello
Altamiro Borges: A falácia do decano Celso de Mello: Por Luis Nassif, no Jornal GGN : Há 157 dias está no Supremo o pedido de julgamento do presidente da Câmara Eduardo Cunha. O decano nu...
terça-feira, 19 de abril de 2016
Altamiro Borges: Os 119 golpistas com processos na Justiça
Altamiro Borges: Os 119 golpistas com processos na Justiça: Por Altamiro Borges No show de horrores da aprovação do impeachment de Dilma na Câmara Federal, no domingo (17), o cinismo dos morali...
Altamiro Borges: A tormenta indica por onde recomeçar
Altamiro Borges: A tormenta indica por onde recomeçar: Por Saul Leblon, no site Carta Maior : Um golpe não começa na véspera; tampouco tem desdobramentos plenamente identificáveis na manhã segui...
Altamiro Borges: Golpe: Agora o pau vai quebrar
Altamiro Borges: Golpe: Agora o pau vai quebrar: Por Bepe Damasco, em seu blog : Nem na República Velha, ou Primeira República ...
Altamiro Borges: Golpista tucano presta contas nos EUA
Altamiro Borges: Golpista tucano presta contas nos EUA: Do blog Viomundo : A degradante atuação do Congresso brasileiro ao aplicar um golpe em nome da República dos Corruptos, liderada por Ed...
Altamiro Borges: Golpe ganha primeira batalha. O que fazer?
Altamiro Borges: Golpe ganha primeira batalha. O que fazer?: Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho : Por incrível que pareça, não estou triste com a derrota. Não gostei dela, claro. Acho que a de...
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Chico Lopes, o deputado que ironizou a hipocrisia dos golpistas - Portal Vermelho
Chico Lopes, o deputado que ironizou a hipocrisia dos golpistas - Portal Vermelho: Depois de votar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff neste domingo (17), o deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE) rapidamente “viralizou” nas redes sociais e foi parar nos chamados “Trending Topics” do Twitter, ou seja, os assuntos mais comentados no microblog.
Golpistas já falam em 'anistia' para corrupção de Cunha - Portal Vermelho
Golpistas já falam em 'anistia' para corrupção de Cunha - Portal Vermelho: No dia 2 de dezembro de 2015, o Conselho de Ética da Câmara dos deputados aprovou por 11 votos a 9 o parecer pela continuidade do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Naquela data os jornais já apontavam a chantagem de Cunha contra a presidenta Dilma Rousseff e diziam que o presidente da Câmara ameaça retalhar com a abertura do processo de impeachment.
Bresser-Pereira: Impeachment é uma vergonha - Portal Vermelho
Bresser-Pereira: Impeachment é uma vergonha - Portal Vermelho: Pouco antes do final da votação do pedido de impeachment na presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira utilizou sua página no Facebook para expressar sua revolta com o resultado que já se delineava.
Altamiro Borges: São 367 picaretas com anel de doutor
Altamiro Borges: São 367 picaretas com anel de doutor: Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena : O Brasil e o mundo inteiro viram, transmitido ao vivo, o show de horrores que foi a aprova...
Altamiro Borges: A luta contra o golpe só começou
Altamiro Borges: A luta contra o golpe só começou: Por Jandira Feghali A dantesca sessão que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos...
domingo, 17 de abril de 2016
Altamiro Borges: Greve geral contra o golpe. Já!
Altamiro Borges: Greve geral contra o golpe. Já!: Por Altamiro Borges Numa sessão deprimente, que entrará para a história como um dos momentos mais tristes da frágil democracia brasile...
Altamiro Borges: Empresários apresentam 'pacote do golpe'
Altamiro Borges: Empresários apresentam 'pacote do golpe': Por Altamiro Borges Em suas mansões ou restaurantes luxuosos, a elite empresarial brasileira deve estar em êxtase com a aprovação do impe...
Luciana Santos: Barrar o golpe no Senado! - Portal Vermelho
Luciana Santos: Barrar o golpe no Senado! - Portal Vermelho: A deputada Luciana Santos(PE), presidenta nacional do PCdoB, divulgou nota em que considera que a Câmara dos Deputados 'desferiu um golpe na democracia' ao aprovar a autorização para abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Para a dirigente comunista 'o povo e a história saberão cobrar os responsáveis por essa deplorável decisão' e 'a luta democracia versus golpismo prossegue'.
Walter Sorrentino: Novos marcos na luta política - Portal Vermelho
Walter Sorrentino: Novos marcos na luta política - Portal Vermelho: Neste 17 de abril de 2016 haverá o desfecho de uma das batalhas mais importantes de uma guerra prolongada, a radicalizada luta política de classes no Brasil. Batalha cujo resultado tem sentido estratégico para a causa da democracia e, com ela, os interesses do povo e da nação. Qualquer que seja o desfecho a luta seguirá, mas terão se alterado vivamente as condições das forças em luta.
sábado, 16 de abril de 2016
Altamiro Borges: STF se tornou um par perfeito para Cunha
Altamiro Borges: STF se tornou um par perfeito para Cunha: Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : O STF é uma espécie de par perfeito para Eduardo Cunha, como se viu ontem nos ...
Participe dos atos contra o golpe neste domingo: Confira os locais - Portal Vermelho
Participe dos atos contra o golpe neste domingo: Confira os locais - Portal Vermelho: A movimentação pelo golpe de Estado em curso no país chegará em seu ápice neste domingo (17), quando o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff será votado no plenário da Câmara dos Deputados. Contrários ao processo ilegítimo da direita para tomar o poder a qualquer custo, milhares de brasileiros sairão às ruas para dizer basta ao clima de 3º turno imposto ao país, que impede a presidenta de exercer o seu mandato desde que foi reeleita.
Duvivier traça, em vídeo, perfil de Temer - Portal Vermelho
Duvivier traça, em vídeo, perfil de Temer - Portal Vermelho: O humorista e ator do Porta dos Fundos Gregório Duvivier traça um perfil do vice-presidente Michel Temer e destaca, ironicamente, que ele será capaz de unir o Brasil.
Martinho da Vila: To com medo, mas vai dar bom - Portal Vermelho
Martinho da Vila: To com medo, mas vai dar bom - Portal Vermelho: Estou muito preocupado com o atual momento brasileiro. Muitos políticos estão discutindo o impeachment como se fosse um tema simples e é uma questão de extrema gravidade.
Por Martinho da Vila, especial para o Vermelho
Por Martinho da Vila, especial para o Vermelho
Folha admite: Oposição não tem maioria para o impeachment - Portal Vermelho
Folha admite: Oposição não tem maioria para o impeachment - Portal Vermelho: A mídia corporativa assinala nesta sexta-feira que a oposição perde votos a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a dois dias da votação marcada para ter início às 14 horas, domingo (17) em Brasília. Uma deputada grávida e parte da bancada do PP deixa de contar como “votos favoráveis” ao golpe por meios de comunicação que se posicionam a favor do impedimento.
“Votos viraram e nós vamos ganhar”, diz Jandira - Portal Vermelho
“Votos viraram e nós vamos ganhar”, diz Jandira - Portal Vermelho: Ao lado do governador Flávio Dino, do senador Lindberg Farias e dos deputados Wadih Damous Adelmo Leão e Nelson Pelegrino, a parlamentar Jandira Feghali gravou vídeo no plenário da Câmara, no qual celebra o novo cenário no Congresso. “Nossa perspectiva melhorou muito. Muitos votos viraram, eles não terão 342 votos e nós vamos ganhar”, disse uma animada Jandira.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Altamiro Borges: O “consórcio de bandidos” e o impeachment
Altamiro Borges: O “consórcio de bandidos” e o impeachment: Por Altamiro Borges Na insanidade geral que tomou conta do Brasil nos últimos tempos, os "midiotas" que vibram com a possi...
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Blog do Consa: Fora Cido
Blog do Consa: Fora Cido: Hélio Consolaro* Cada administração municipal tem o seu procurador geral, um advogado que é nomeado para orientar juridicamente o prefe...
LUTAS DE CLASSES
LUTAS DE CLASSES COM MARX, LENIN E GRAMSCI .
(E POR QUE
NÃO COM BRECHT, MÁRIO DE ANDRADE E BUKOWSKI...)
PARTE 1
Nossos inimigos dizem
Brecht
Nossos
inimigos dizem: a luta terminou.
Mas nós dizemos: ela começou.
Mas nós dizemos: ela começou.
Nossos
inimigos dizem: a verdade está liquidada.
Mas nós sabemos: nós a sabemos ainda.
Mas nós sabemos: nós a sabemos ainda.
Nossos
inimigos dizem: mesmo que ainda se conheça a verdade
ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgaremos.
ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgaremos.
É a véspera
da batalha.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda de nossos inimigos.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda de nossos inimigos.
A luta de classes
no Brasil sempre esteve camuflada. Uma das razões foi o tal governo para todos e
os compromissos assumidos com a “Carta aos Brasileiros” na primeira vitória do
Lula. A tática, naquele momento, poderia
ser até acertada: ganhava-se tempo para se instaurar um governo que beneficiasse
as classes subalternas. Isso também ocorreu
mas paralelamente as classes dominantes também ganharam e muito. O grande erro cometido foi a desarticulação
do movimento popular, como se estivéssemos entrando em um caminho virtuoso onde todos estariam
felizes e se respeitariam. Faltou de combinar com burguesia internacional e seus áulicos tupuniquins se eles abririam
mão da defesa de alguns de seus interesses estratégico. Uma equação que não fechará nunca. Enquanto o lado popular administrava, com
todas as sortes de concessões, um país submetido há séculos à destruição
imposta pelos interesses de classe da burguesia e impunha um modelo
desenvolvimentista, com maior distribuição de rendas e diminuição das
desigualdades, com grandes avanços nas políticas sociais, descuidava de se
apropriar politicamente desses progressos. Também cometeu erros graves ao
subestimar os inimigos e alguns adversários, inclusive no próprio governo.
Mesmo com a eleição de Dilma, difícil, foi o governo brindado, com Legislativo reacionário e dominado por
facções. A direita, encastelada no PSDB,
PPS, DEM, parcelas do PMDB, PP etc , nas mídias como Veja,Folha, Estadão, Rede
Globo etc, parcelas ponderáveis da PF, dos MPs, estaduais e Federal e do
Judiciário e apoio logístico externos, iam se organizando para fechar o cerco a
esse modelo que, se não balança sua hegemonia, deixa-os inquietos.
Com a
passagem do Capitalismo da sua fase
industrial para financeiro, a burguesia para manter
seus privilégios, impõe maiores sacrifícios às classes subalternas, jogando no
colo dessas classes a culpa pela crise, abriu-se uma possibilidade dela retomar o
governo, usando essa crise, para desgastar o
governo Dilma, impor sanções e derrotas aos projetos sociais com o apoio do pior Legislativo que o dinheiro
pode comprar. E a direita abre a caixa
de Pandora quando resolve estimular as continuações das denúncias de corrupção,
iniciadas pelo mensalão ( que até hoje
não se comprova) para manter o governo na defensiva pois , até agora, com a mal
explicada operação Lava Jato, atingiu apenas seis parlamentares do PT, alvo
maior da sanha golpista desse conglomerado. Pior, mesmo com os vazamentos
seletivos, o que vai se confirmando é
que os verdadeiros corruptos estão dentro desse conglomerado direitista que apoiado
por forças internas e externas que o sustenta
tenta jogar no governo a culpa pela corrupção para, aos poucos, impor,
entre outros, os objetivos: destruição da Petrobrás como empresa nacional
e de sustentação do seu desenvolvimento, imposição do modelo neoliberal, evitar que o Brasil se transforme em pólo
industrial , produzindo tecnologias de ponta, sufocar a ascensão das classes
subalternas ao poder, amordaçamento dos partidos populares , progressistas e de
esquerda. O jogo de força que a direita tenta vencer quer liquidar o Brasil
livre, progressista, democrático e
jogá-lo no colo da exploração capitalista.
A Índole da Multidão
Bukowski
Há suficiente traição,
ódio,
violência,
Absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer
momento.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra o Assassinato.
E Os Melhores No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
-ENFIM- SÃO AQUELES QUE PREGAM
PAZ
violência,
Absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer
momento.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra o Assassinato.
E Os Melhores No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
-ENFIM- SÃO AQUELES QUE PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam Paz
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado Com Os Conhecedores.
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam Paz
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado Com Os Conhecedores.
Cuidado
Com Aqueles
Que Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS
Com Aqueles
Que Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS
Cuidado Com Aqueles Que Ou
Destestam
A Pobreza Ou Orgulham-se Dela
A Pobreza Ou Orgulham-se Dela
CUIDADO Com Aqueles Rápidos
Em Elogiar
Pois Eles Precisam de LOUVOR Em Retorno
Pois Eles Precisam de LOUVOR Em Retorno
CUIDADO Com Aqueles Rápidos
Em Censurar:
Eles Temem O Que
Desconhecem
Eles Temem O Que
Desconhecem
Cuidado Com Aqueles Que
Procuram Constantemente
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado
O Homem Vulgar
A Mulher Vulgar
CUIDADO Com O Amor Deles
O Homem Vulgar
A Mulher Vulgar
CUIDADO Com O Amor Deles
Seu Amor É Vulgar, Busca
Vulgaridade
Mas Há Força Em Seu Ódio
Há Força Suficiente Em Seu
Ódio Para Matá-lo, Para Matar
Qualquer Um.
Vulgaridade
Mas Há Força Em Seu Ódio
Há Força Suficiente Em Seu
Ódio Para Matá-lo, Para Matar
Qualquer Um.
Não Esperando Solidão
Não Entendendo Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Difira
Deles Mesmos
Não Entendendo Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Difira
Deles Mesmos
Não Sendo Capazes
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão A Arte
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão A Arte
Considerarão Seu Fracasso
Como Criadores
Apenas Como Falha
Do Mundo
Como Criadores
Apenas Como Falha
Do Mundo
Não Sendo Capazes De Amar
Plenamente
Eles ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO
Eles ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Refinada
ARTE
ARTE
CONT.
A estupidez da burguesia ao ressuscitar a luta de classes no país
por J. Carlos de Assis
A burguesia paulista, apoiada na grande mídia, ressuscitou a luta de classes no Brasil. Ela a terá. O único líder que, por sua autenticidade e representatividade junto às massas, poderia manter alguma forma de conciliação de classes no país é Lula. Entretanto, o genial procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não quer que Lula desempenhe esse papel. Com um desses atos de suprema inteligência política, ele ficou contra a presença do ex-presidente no governo Dilma. Ou seja, Lula tem que ser destruído, assim como Dilma e o PT.
Isso seria mais fácil na base de prisões arbitrárias em massa e campos de concentração. Alguns o querem. Mas, para tanto, seria necessário um alto grau de passividade entre as vítimas. Como os judeus da Alemanha nazista, elas deveriam assumir uma atitude passiva sempre na esperança de que o mal maior não os atingiria, e aos seus. Creio que os nossos sem terra, os sem teto, os favelados, os trabalhadores e trabalhadoras que se consideeram espoliados pela burguesia, e pelo menos parte das Forças Armadas não se colocarão como guardiães e serviçais dos poderosos.
Claro, ainda há tempo de evitar o pior. As votações decisivas do impeachment ainda estão por vir. Há muitos parlamentares indecisos na Câmara e no Senado. A Fiesp, líder da luta de classes em nome do patronato, terá de pensar duas vezes antes de desembolsar completamente os R$ 500 milhões que reservou para comprar o impeachment, parte dos quais já foi direcionada para a grande mídia. De repente, porém, ela esbarra num parlamentar honesto que acabaria por denunciá-la. Além disso, em tempos de Lava Jato, ninguém está completamente tranquilo com dinheiro de corrupção. Quem viver verá!
Num de seus discursos inflamados, Lula afirmou que era o único capaz, se quisesse, de incendiar o país. Acrescentou imediatamente que não faria isso porque é um homem de paz. Um desses promotores idiotas tomou a afirmação como uma ameaça à ordem. Entretanto, não só não é uma ameaça à ordem como também não é uma bravata. Se quisesse, Lula poderia efetivamente incendiar o Brasil. Ele não quer, e é bom que não queira. Mas não pensem que, numa situação de injustiça e exploração extremada, ele, fora do poder, venha a segurar a revolta dos de baixo contra as classes de cima.
J. Carlos de Assis - Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.
NÃO PASSARÃO!
Palácio do Planalto conta com 216 votos, 45 a mais do que o necessário
Embora deva ser derrotado na votação desta tarde, o governo tem maioria para evitar, em plenário, a cassação da presidente Dilma Rousseff. Hoje, o Palácio do Planalto conta com 216 votos, 45 a mais do que o necessário, e o número pode crescer nos próximos dias, com o crescimento das manifestações contra o golpe, como a que ocorrerá hoje no Rio de Janeiro, com a presença de diversos artistas e do compositor Chico Buarque de Holanda.
Parlamentares governistas acreditam que a votação nesta segunda-feira (11) na comissão especial do impeachment do relatório sobre a admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff será apertada, ante expectativa da oposição de aprovação do parecer com margem de até 70 por cento de apoio.
Segundo o deputado Wadih Damous (PT-RJ), mesmo uma eventual derrota do governo na votação prevista para esta tarde por uma diferença de poucos votos “significaria que a oposição não tem os dois terços para ganhar no plenário”.
O também petista Arlindo Chinaglia (SP) disse que a diferença do resultado deve ficar em no máximo cinco votos de um total de 65 membros da comissão, seja a favor de Dilma ou contra a presidente.
Já o deputado de oposição Vanderlei Macris (PSDB-SP) disse esperar que o relatório favorável ao impeachment seja aprovado com uma diferença ao menos “razoável”, se não for “acachapante”.
“Acredito que o impeachment terá entre 60 e 70 por cento de apoio na comissão”, afirmou.
A comissão do impeachment retoma os trabalhos nesta segunda de manhã para ouvir o relator Jovair Arantes (PTB-GO), o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e os líderes partidários, antes de iniciar o processo de votação previsto para as 17h.
Uma vez votado na comissão da Câmara, o relatório precisa ser lido na sessão plenária seguinte da Casa, e posteriormente publicado. Após a publicação é necessário respeitar um prazo de 48 horas para que a denúncia seja incluída na pauta, o que deve ocorrer na sexta-feira. A votação no plenário está prevista para domingo.
A denúncia contra Dilma só pode ser admitida e encaminhada ao Senado a partir do voto de 342 dos 513 deputados no plenário da Câmara.
No fim de semana, pesquisa Datafolha mostrou que o número de brasileiros a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diminuiu para 61 por cento, 7 pontos percentuais a menos do que em março.
Fonte: Reuters
DNA DOS GOLPISTAS
O DNA golpista da minoria prepotente e o renascer da
política nas massas populares no Brasil
Gaudêncio Frigotto*
No final da década de 1990 o sociólogo Francisco de
Oliveira, um dos mais agudos críticos do projeto de sociedade da classe
dominante brasileira, numa conferência na Universidade Federal Fluminense,
mostrou que ao longo do século XX convivemos, mais de um terço do mesmo,
sob ditaduras e submetidos a um golpe institucional a cada três anos.
Ditaduras e golpes que plasmam uma sociedade que Oliveira a define com a figura
do ornitorrinco - uma impossibilidade genética, pois não se desenvolve nem como
pássaro e nem como mamífero. O ornitorrinco social brasileiro se expressa
por uma sociedade que produz a miséria e se alimenta dela.
A aprovação da Constituição em 1988 – com avanços no plano dos direitos sociais e subjetivos - já foi violada na eleição de Fernando Collor de Mello pela manipulação mediática e financiada pelo grande capital. Outra fraude da Constituição foram os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso com a total submissão às políticas neoliberais comandadas pelos centros hegemônicos do capital. Oito anos de venda do país e desmonte da educação e saúde públicas.
Depois de três derrotas consecutivas, as bases sociais que lutam desde a independência do Brasil por reformas estruturais (agrária, tributaria, jurídica e política) elegeram o ex operário Luiz Inácio Lula da Silva presidente.
A expectativa era que o governo Lula da Silva, apoiado por estas bases, processasse as reformas estruturais e efetivasse o que Francisco de Oliveira, num outro pequeno texto, definia como a possibilidade de, pela quarta vez, tentar refundar a Nação, agora com um marco de não retorno. Uma das condições era a de enfrentar a histórica dominação. Nos termos do sociólogo e eminente constituinte Florestan Fernandes, tratava-se de não cometer o erro de sua geração. Erro este que foi de tentar fundar uma nação e alargar a democracia seguindo junto a uma minoria prepotente com uma maioria desvalida. (grifos meus).

Inúmeras análises convergem para o que o Sociólogo André Singer, Porta Voz, por quatro anos, do governo Lula da Silva, definiu como lulismo. Ao contrário do que a grande mídia empresarial e as agências de risco, sentinelas do grande capital, vociferavam diuturnamente de que seria o fim o mundo e o socialismo estava chegando ao Brasil, nenhuma reforma estrutural foi efetivada. As reformas de base, necessidade fundamental para superar a desigualdade abismal que condena a grande maioria do povo brasileiro a uma vida precária, foram postergadas. Os grandes empresários e o capital financeiro não foram confrontados, pelo contrário, continuaram ganhando até mais do que no governo Fernando Henrique Cardoso.
A questão ou a esfinge que se coloca aos que medianamente querem pensar e não apenas ser barriga de aluguel da mídia golpista ou à parte do Judiciário e do Ministério Público que espetacularizou e partidarizou a “justiça” é: mas afinal por que está em curso um golpe de Estado, não mais militar, mas como o definiu o filósofo e educador Dermeval Saviani,jurídico-midiático-parlamentar? A esfinge se decifra quando nos dispusermos analisar o DNA colonizador, escravista e de associação subordinada da classe burguesa brasileira aos centros imperialistas ao longo de nossa história. Nos últimos cem anos ao império americano.
Pelo lado colonizador e escravocrata o que incomoda e é insuportável à minoria prepotente, leia-se classe dominante brasileira?
Destaco apenas alguns aspectos: que negros, quilombolas, índios e pobres tenham políticas que lhes permitem ter acesso ao ensino básico e uma significativa parcela à universidade; que com pequenas políticas distributivas, com o aumento progressivo do salário mínimo, se avance na distribuição de renda; que mediante políticas como as da bolsa família, cujo valor mensal é muito menor que o vinho ou o champanhe que exibem nas sacadas dos prédios batendo panelas quando a Presidenta Dilma faz algum pronunciamento, milhões de famílias consigam ter seus filhos em escolas e completar a parca comida de cada dia; que possa haver movimentos sociais e culturais que lutem por seus direitos negados.
É, sobretudo, insuportável à minoria prepotente que haja movimentos sociais organizados e politizados que lutem pelos direitos elementares, como são as lutas do Movimento social dos Sem Terra (MST) que reivindicam que o Estado brasileiro desaproprie as terras roubadas ou os latifúndios improdutivos para que milhões de adultos e jovens possam produzir suas vidas dignamente trabalhando ou o que Movimento social dos Sem Teto lute por um abrigo, sem o que a vida se esgarça.
A outra coisa imperdoável à minoria prepotente, sempre caudatária e associada aos centros hegemônicos do grande capital, são os significativos passos que foram dados nas relações internacionais, reforçando o continente latino americano, participando no conjunto de países que constituem o BRICS e a correlata diminuição da submissão ao império norte americano este sempre implicado, direta ou mais veladamente, nos golpes de Estado em toda a América Latina.
A minoria prepotente que se aninha: nas Confederações que representam os grupos detentores do capital; na grande mídia empresarial, em grupos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – estes uma cínica expressão do torto do direito e da justiça; em setores e figuras do poder judiciário, inclusive na mais alta corte; em parte nas diferentes denominações religiosas, especialmente aquelas que tornaram “deus” uma mercadoria explorando monetariamente a fé simples de fiéis; nas universidades onde também, como temia Milton Santos, se está formando, especialmente nos curso de mais prestígio econômico e social, deficientes cívicos.
Mas a história, como nos lembra Eduardo Galeano, é uma velha e experiente senhora, cheia de segredos e que, não raro, se vinga do cinismo escancarado. Com efeito, o deboche e cinismo tem a cobertura diuturna de redes de TV, jornais e revistas, em especial o grupo Globo, em permanente cobertura unilateral pró impeachment. O pastiche se efetiva juntando as ditas pedaladas fiscais (praticadas antes do dilúvio no Brasil), com a operação lava-jato – esta definida por eminentes juízes, advogados e membros do ministério público, como uma operação não de justiça, mas de justiceiros. Tudo isso com a demonizarão e ódio ao PT no embalo de raivosas e orquestradas manifestações nas ruas contra o governo.
O cismo e deboche chega ao paroxismo quando às claras, sem nenhum pudor, o processo de impedimento da Presidente, é liderado por mais de uma centena de parlamentares citados na justiça e no caso do chefe mor com processo aberto no Supremo Tribunal Federal, No golpismo juntam-se os derrotados nas urnas, inclusive o inconformado derrotado à presidência coroado de denúncias de corrupção, mas no jato que não lava, e querem ganhar no tapetão. (Que subdesenvolvida vergonha!)
Qual o argumento mais usado e abusado para convencer incautos: as ruas pedem o impeachment. Mas qual a razão? As ruas, ora bolas!!!
O que a história está lembrando é que as ruas têm dois lados. E tamanho tem sido o cinismo das forças golpistas que conseguiram fazer ressurgir a luta política e explicitar diferentes facetas da luta de classe nas bases sociais que sempre lutaram pela democracia e por reformas estruturais.
O grito que tomou ruas e praças – não vai ter golpe, vai ter luta - tem um triplo recado. Aos golpistas é que não haverá golpe contra a democracia e se houver haverá resistência organizada. Ao governo Dilma, o recado é de que não se pode mais continuar governando associados à minoria prepotente e se continuar haverá resistência organizada. Para o amplo campo da esquerda o recado é que, em seu pluralismo, confronte, sem tréguas, o que o filósofo Leandro Konder (in memória) definiu como sendo a unidade substancial, profunda, inabalável do pluralismo da direita - impedir que as massas populares se organizem, reivindiquem, façam política e criem uma verdadeira democracia. (Jornal da República, 20\9\1979).
* Filósofo e doutor em Educação, História e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente professor na Faculdade de Educação e no Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A aprovação da Constituição em 1988 – com avanços no plano dos direitos sociais e subjetivos - já foi violada na eleição de Fernando Collor de Mello pela manipulação mediática e financiada pelo grande capital. Outra fraude da Constituição foram os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso com a total submissão às políticas neoliberais comandadas pelos centros hegemônicos do capital. Oito anos de venda do país e desmonte da educação e saúde públicas.
Depois de três derrotas consecutivas, as bases sociais que lutam desde a independência do Brasil por reformas estruturais (agrária, tributaria, jurídica e política) elegeram o ex operário Luiz Inácio Lula da Silva presidente.
A expectativa era que o governo Lula da Silva, apoiado por estas bases, processasse as reformas estruturais e efetivasse o que Francisco de Oliveira, num outro pequeno texto, definia como a possibilidade de, pela quarta vez, tentar refundar a Nação, agora com um marco de não retorno. Uma das condições era a de enfrentar a histórica dominação. Nos termos do sociólogo e eminente constituinte Florestan Fernandes, tratava-se de não cometer o erro de sua geração. Erro este que foi de tentar fundar uma nação e alargar a democracia seguindo junto a uma minoria prepotente com uma maioria desvalida. (grifos meus).
Inúmeras análises convergem para o que o Sociólogo André Singer, Porta Voz, por quatro anos, do governo Lula da Silva, definiu como lulismo. Ao contrário do que a grande mídia empresarial e as agências de risco, sentinelas do grande capital, vociferavam diuturnamente de que seria o fim o mundo e o socialismo estava chegando ao Brasil, nenhuma reforma estrutural foi efetivada. As reformas de base, necessidade fundamental para superar a desigualdade abismal que condena a grande maioria do povo brasileiro a uma vida precária, foram postergadas. Os grandes empresários e o capital financeiro não foram confrontados, pelo contrário, continuaram ganhando até mais do que no governo Fernando Henrique Cardoso.
A questão ou a esfinge que se coloca aos que medianamente querem pensar e não apenas ser barriga de aluguel da mídia golpista ou à parte do Judiciário e do Ministério Público que espetacularizou e partidarizou a “justiça” é: mas afinal por que está em curso um golpe de Estado, não mais militar, mas como o definiu o filósofo e educador Dermeval Saviani,jurídico-midiático-parlamentar? A esfinge se decifra quando nos dispusermos analisar o DNA colonizador, escravista e de associação subordinada da classe burguesa brasileira aos centros imperialistas ao longo de nossa história. Nos últimos cem anos ao império americano.
Pelo lado colonizador e escravocrata o que incomoda e é insuportável à minoria prepotente, leia-se classe dominante brasileira?
Destaco apenas alguns aspectos: que negros, quilombolas, índios e pobres tenham políticas que lhes permitem ter acesso ao ensino básico e uma significativa parcela à universidade; que com pequenas políticas distributivas, com o aumento progressivo do salário mínimo, se avance na distribuição de renda; que mediante políticas como as da bolsa família, cujo valor mensal é muito menor que o vinho ou o champanhe que exibem nas sacadas dos prédios batendo panelas quando a Presidenta Dilma faz algum pronunciamento, milhões de famílias consigam ter seus filhos em escolas e completar a parca comida de cada dia; que possa haver movimentos sociais e culturais que lutem por seus direitos negados.
É, sobretudo, insuportável à minoria prepotente que haja movimentos sociais organizados e politizados que lutem pelos direitos elementares, como são as lutas do Movimento social dos Sem Terra (MST) que reivindicam que o Estado brasileiro desaproprie as terras roubadas ou os latifúndios improdutivos para que milhões de adultos e jovens possam produzir suas vidas dignamente trabalhando ou o que Movimento social dos Sem Teto lute por um abrigo, sem o que a vida se esgarça.
A outra coisa imperdoável à minoria prepotente, sempre caudatária e associada aos centros hegemônicos do grande capital, são os significativos passos que foram dados nas relações internacionais, reforçando o continente latino americano, participando no conjunto de países que constituem o BRICS e a correlata diminuição da submissão ao império norte americano este sempre implicado, direta ou mais veladamente, nos golpes de Estado em toda a América Latina.
A minoria prepotente que se aninha: nas Confederações que representam os grupos detentores do capital; na grande mídia empresarial, em grupos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – estes uma cínica expressão do torto do direito e da justiça; em setores e figuras do poder judiciário, inclusive na mais alta corte; em parte nas diferentes denominações religiosas, especialmente aquelas que tornaram “deus” uma mercadoria explorando monetariamente a fé simples de fiéis; nas universidades onde também, como temia Milton Santos, se está formando, especialmente nos curso de mais prestígio econômico e social, deficientes cívicos.
Mas a história, como nos lembra Eduardo Galeano, é uma velha e experiente senhora, cheia de segredos e que, não raro, se vinga do cinismo escancarado. Com efeito, o deboche e cinismo tem a cobertura diuturna de redes de TV, jornais e revistas, em especial o grupo Globo, em permanente cobertura unilateral pró impeachment. O pastiche se efetiva juntando as ditas pedaladas fiscais (praticadas antes do dilúvio no Brasil), com a operação lava-jato – esta definida por eminentes juízes, advogados e membros do ministério público, como uma operação não de justiça, mas de justiceiros. Tudo isso com a demonizarão e ódio ao PT no embalo de raivosas e orquestradas manifestações nas ruas contra o governo.
O cismo e deboche chega ao paroxismo quando às claras, sem nenhum pudor, o processo de impedimento da Presidente, é liderado por mais de uma centena de parlamentares citados na justiça e no caso do chefe mor com processo aberto no Supremo Tribunal Federal, No golpismo juntam-se os derrotados nas urnas, inclusive o inconformado derrotado à presidência coroado de denúncias de corrupção, mas no jato que não lava, e querem ganhar no tapetão. (Que subdesenvolvida vergonha!)
Qual o argumento mais usado e abusado para convencer incautos: as ruas pedem o impeachment. Mas qual a razão? As ruas, ora bolas!!!
O que a história está lembrando é que as ruas têm dois lados. E tamanho tem sido o cinismo das forças golpistas que conseguiram fazer ressurgir a luta política e explicitar diferentes facetas da luta de classe nas bases sociais que sempre lutaram pela democracia e por reformas estruturais.
O grito que tomou ruas e praças – não vai ter golpe, vai ter luta - tem um triplo recado. Aos golpistas é que não haverá golpe contra a democracia e se houver haverá resistência organizada. Ao governo Dilma, o recado é de que não se pode mais continuar governando associados à minoria prepotente e se continuar haverá resistência organizada. Para o amplo campo da esquerda o recado é que, em seu pluralismo, confronte, sem tréguas, o que o filósofo Leandro Konder (in memória) definiu como sendo a unidade substancial, profunda, inabalável do pluralismo da direita - impedir que as massas populares se organizem, reivindiquem, façam política e criem uma verdadeira democracia. (Jornal da República, 20\9\1979).
* Filósofo e doutor em Educação, História e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente professor na Faculdade de Educação e no Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
SOBRE TODAS AS COISAS / Marla/Marcos
Sobre todas
às coisas... coisa nenhuma esteve...Serve a agonia da inércia? Serve o
conformismo secular das massas? Há músculos necrosados, há tumores exalando
pus, há neurônios em curto-circuito. Há mentiras parecendo verdades. Vejo entre
meu adeus e minha última palavra que nem sequer escrevi, as agruras do viver:
pode um corpo prescindir dos desejos? Envelhecer? Dizer nada parece ser do tamanho da exatidão
quando muitos acham que falam alguma coisa. Não temo a solidão e seus
silêncios. Tenho ouvido muitos sons sem
precisão e sem alvo, quando palavras necessitam do rigor da matemática para
serem ditas. E esta pressão no peito, de coisas inacabadas, inflamam meus
passos. De olhos fechados, saciado das paredes, desconjuro as imagens que
tijolei durante esse viver. Vejo fotos antigas e me pergunto aonde estão meus
nervos. Vinde a mim! Cospe a secura da
tristeza. Vinde a mim! Vomita o silêncio
do meu baú de ossos, obrigado a se calar por que nunca é hora.É justo morrerem
filhos antes dos país? Tenho as dores da
passividade exigidas pelo bom tom. Já
apanhamos muito por isso. Mas de pintura
entendo de que nada é perpétuo. Cada
pincelada deveria ser como um soco no
estômago. Foi crescendo as dores como uma ferida em forma de céu até encher de
cataratas as lágrimas de meu inferno. Vejo pouco. Quero ver muito? Quando
encontro respostas, desatino um suspiro de morte, as saídas estão
contingenciadas por acordos realizados por pequenos burgueses que acham que mandam. Mas
mandam por conciliações vis. Aí chega-me a velhice corcundeando o tempo como um corvo poeniano, se instalando pela boca. E alguém
nenhum para ouvir esse meu lamento de carne e nervos; e nem eu mesmo ouvindo a
surdez do meu ouvir estourando minha
pele de linhas e agulhas. Vozes perdidas por que não ecoam. Quão cedo dominam-me às coisas que nem sei
dizer. Ando escapando dos embates. Nas ruas quentes fecundam amores arrancados com
dentes de solidão, por trinta moedas, meninas fazem chupetas em senhores de
família quatrocentonas e fundadoras. Outras, nem cobram, vulgarizadas pelo
momentâneo e pelas bebidas em bares da vida. Sexo casual? Mas os fiapos tecem, num embalo de vidas, a
presença ausente do que sou. Quero ser mais e não há mais tempo. Sou nada. Grita meu grito sufocado. Sou nada.
Desespera o adeus que ouço do não feito. Coisa nenhuma esteve em minhas mãos
por delicadeza ou piedade, foram forjadas em dias e noites tormentosas. Passaram-se assim... de um sopro de moda ou de
uma corneta extinta, porém, transeunte na memória que fecha a luz. Houve quem
me dissesse da vida ela mesma em seu grunhir de
espantos e sonhos; houve quem me tirasse do sono pra me roubar os
acordes de correntes, forçando enfeites em meu
pescoço que, eram braços, pernas,
línguas... de tudo que era não eu. Perdi filha e lutas. Olho para os que me
restam e choro: há trevas pela frente. Temo.
Estou prisioneiro de um tempo que não é meu. Mas deuses e demônios, colhendo
desejos em imensas colheres,
transformaram luzes em trevas, teceram fios de ovos, prendendo neles as
alegrias e fizeram do sabor um beijo
anônimo e desejoso, toda a angústia dos viveres. Todas às coisas foram juntando
fatos que formaram atos, que nos
curvaram, perderam as cabeças quando esqueceram o passado... e foi oferecendo, no
madrugar, o gosto do calar, do se salvar as aparências nas mudanças que não
mudam. E caímos no retrocesso. Esteve as
coisas no lugar que avistou jamais minha alma sem sentinela. Custa-me, à
frente, repousar. Tranco a palavra. Tangencio o calor da dor. É preciso abrir as coisas. É preciso
chutar as portas nessa mesmice. Preciso explodir mas parece que vai chover amanhã.
Altamiro Borges: Eduardo Cunha corre contra o tempo
Altamiro Borges: Eduardo Cunha corre contra o tempo: Por André Barrocal, na revista CartaCapital : Réu por corrupção, vulgo “Caranguejo” na lista de doações da empreiteira Odebrecht, drama...
Altamiro Borges: O “consórcio de bandidos” e o impeachment
Altamiro Borges: O “consórcio de bandidos” e o impeachment: Por Altamiro Borges Na insanidade geral que tomou conta do Brasil nos últimos tempos, os
sábado, 9 de abril de 2016
domingo, 3 de abril de 2016
COMO DERROTAR UMA QUADRILHA GOLPISTA
Por
Bepe Damasco, em seu blog:
1)
A saída do PMDB do governo está longe de ser a tragédia pregada pela mídia e,
infelizmente, absorvida por muitos lutadores contra o golpe. Primeiro porque há
muito o PMDB não entrega a mercadoria combinada, já que o governo vem contando
com cerca de 30 votos dos mais de 60 dos integrantes da bancada do partido. E
depois porque até as paredes do Congresso e do Planalto sabem que uma
dissidência significativa permanecerá no governo.
2)
O governo está diante de uma oportunidade de ouro para solidificar uma nova
base de apoio congressual. O PMDB deixa para trás ministérios estratégicos,
além de cerca de 150 cargos de ponta. A saída é negociar com inteligência e
habilidade como se estivesse diante de um tabuleiro de xadrez. O objetivo é
fidelizar o maior número possível de parlamentares dos partidos pequenos e
médios da base que até agora ocupavam posições subalternas na Esplanada dos
Ministérios, tais como PP, PR, PROS, PTB, PDT, PSD e PRB.
3)
Está mais do que claro que um hipotético governo golpista chefiado por um
traidor desprezível como Temer seria formado pelo consórcio PMDB-PSDB. Nele,
restariam apenas migalhas aos partidos pequenos e médios. Trocando em miúdos,
em termos de ocupação de espaços, esses partidos têm mais a ganhar cerrando
fileiras com Dilma do que integrando um governo manchado pelo golpe de Estado.
4)
A luta contra o golpe se transformou em campanha cívica. Todos os dias
manifestos, atos, debates, abaixo-assinados e todo tipo de mobilização reúne
professores, estudantes, juristas, intelectuais, artistas das letras, do cinema
e do teatro, jovens, mulheres, negros, homossexuais, reitores de universidades,
sem-terra, sem-teto, galera do hip-hop, sambistas, etc. Já é possível afirmar
que a sociedade civil está contra o golpe. Dar cada vez mais visibilidade a
esses movimentos é essencial para emparedar os golpistas. Pressionar os
deputados pela internet e no corpo a corpo nos aeroportos também conta muito.
5)
A Frente Brasil Popular, agora unida à Frente Povo Sem Medo, tem organizado
vitoriosas manifestações, como as ocorridas em todo o país no dia 18 de março,
quando quase um milhão e meio de pessoas protestaram contra o golpe e em defesa
da democracia. Contudo, é imprescindível estar nas ruas também no período
compreendido entre os grandes atos, com panfletagens e atividades lúdicas.
6)
É preciso intensificar a denúncia da plataforma de governo dos golpistas. O
povo tem que saber que eles não fazem nenhuma questão de esconder que cortarão
direitos sociais e previdenciários, colocarão um ponto final na política de
valorização do salário mínimo e reduzirão drasticamente, se não extinguirem,
gastos com o Minha Casa, Minha Vida, Prouni, Bolsa Família, Pronatec, Mais
Médicos, etc, além de privatizarem a Petrobras, Caixa Econômica Federal e o
Banco do Brasil.
7)
É um erro grave se pautar, reproduzir nas redes sociais, ou disseminar por
qualquer outro meio, boatos que não mereçam crédito e notícias do PIG. Em
tempos de guerra, informação é arma poderosa. Dar uma olhada ou outra nos sites
do monopólio da mídia, para acompanhar sua trama golpista, é válido. Mas tomar
como verdade suas patranhas é de uma ingenuidade imperdoável. Exemplo : em seu
artigo na Folha de São Paulo, a militante tucana travestida de jornalista
Eliane Catanhêde diz que Lula e Temer conversaram em São Paulo sobre o dia
seguinte ao golpe. E, por incrível que pareça, já tem gente nossa repercutindo
essa mentira, feita sob medida para nos desanimar.
8)
Mais do que nunca cabeça fria e nervos de aço são requisitos fundamentais para
enfrentar a tempestade. O desespero que observo por parte de alguns nas redes
sociais e grupos de whatsApp não leva a nada e só ajuda o inimigo.
9)
O militante antigolpe deve estar preparado para uma guerra prolongada. Entender
as nuances e a tramitação do processo de impeachment é fundamental. Primeiro a
comissão processante vota o relatório. Se for aprovado o impeachment, a matéria
vai para o plenário da Câmara, onde os golpistas precisam de 342 votos. Por
fim, em sessão presidida pelo presidente do STF, caberá ao Senado a decisão
final. Também entre os senadores, a aprovação do impeachment requer dois terços
dos votos. Vale lembrar que o governo ainda poderá recorrer ao Supremo, já que
a ausência da caracterização de crime de responsabilidade contra Dilma faz do
processo uma aberração constitucional.
10)
A mídia e os golpistas estão preocupados com o fato de a palavra golpe estar na
boca de um número crescente de pessoas. Eles insistem no mantra de que o
impeachment está previsto na Constituição. Mas a lei está do nosso lado. Todo
militante deve trazer na ponta da língua a verdade : a Constituição só prevê a
instalação de processos de impeachment contra presidentes da República quando
estes cometem crimes de responsabilidade, o que não existe em relação à
presidenta Dilma. Além de pedalada não ser crime, sendo comparado a um mero
atraso no pagamento da fatura de um cartão de crédito, o Congresso Nacional não
julgou a reprovação das contas pelo TCU. E mesmo se, contrariando o parecer do
relator pela aprovação, o Congresso reprovasse as contas da presidenta, elas se
referem ao mandato anterior (2010-2014). E a lei não permite perda de mandatos
por questões relacionadas a mandatos anteriores.
Palavras
Há quem diga que o tempo não passa – ponteiro é que anda!
Anda também nossos
passos tão distantes...
Palavras sem
contexto,
Risos sem bocas,
Saudades sem imagem.
Tento enxergar em mim
a beleza sua...
Cabelos cortei.
Brancos, em quedas
Como as lembranças que
pesco em dia chuvoso e seco.
Foi parar onde nossa
meninice de útero aconchegante?
Olhares de proteção
celestial?
Estou tão só.
Eu, plantas, livros,
café e
Uma vontade demente
de lhe dizer ao pé de ouvido apenas...
Amo-te .
Marla (09/01/2006)
Gyn/Go
Altamiro Borges: O deslumbramento fotográfico de Moro
Altamiro Borges: O deslumbramento fotográfico de Moro: Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : Circula com intensidade neste sábado nas redes sociais uma foto postada pela senho...
Dermeval Saviani: A crise política atual - uma grande farsa - Portal Vermelho
Dermeval Saviani: A crise política atual - uma grande farsa - Portal Vermelho: A crise que se abateu sobre o país tem sido justificada em nome do combate à corrupção e, por meio da insistente repetição dos diversos meios de comunicação, vem induzindo a população a acreditar que foi o PT que, ao chegar ao governo, institucionalizou a corrupção instalando uma verdadeira quadrilha empenhada na apropriação privada dos fundos públicos.
Pansera: Boa parte da bancada do PMDB é contra o impeachment - Portal Vermelho
Pansera: Boa parte da bancada do PMDB é contra o impeachment - Portal Vermelho: O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, um dos seis ministros do PMDB que permanecem no governo após o anúncio da legenda de se desligar do governo federal, disse que não concorda com a decisão de seu partido.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
O “trensalão tucano” vai atropelar Serra?

Por Altamiro Borges
A Justiça de São Paulo, que não é das mais isentas e ágeis, finalmente aceitou
denúncia criminal contra o cartel de trens em São Paulo – também batizado de
“trensalão tucano” – e transformou em réus cinco executivos da multinacional
francesa Alstom e dois da espanhola CAF. Segundo o Ministério Público, eles teriam
participado de fraudes em licitação de R$ 1,8 bilhão em 2009 e 2010, durante a
gestão do hoje senador José Serra (PSDB) à frente do governo paulista. A
decisão foi tomada pela juíza Rosane Cistina de Aguiar Almeida nesta
segunda-feira (28).
A Folha informa que “um dos indicadores da fraude na
licitação, segundo o promotor Marcelo Mendroni, foi o preço apresentado pela
CAF, que concorreu sozinha e venceu a disputa. O preço ofertado tinha uma
diferença de 0,0099% em relação ao valor de referência, o montante fixado pela
Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CPTM) como o preço máximo que
seria aceito. Outros indícios de fraude foram encontrados em e-mails trocados
entre os executivos. Um deles, do então diretor da Alstom, Cesar Ponce de Leon,
diz o seguinte a outros executivos da multinacional francesa em setembro de
2009: ‘Necessitamos saber para amanhã quais são as mudanças que estão
acontecendo nos acordos’”.
Em outro e-mail, Ponce de Leon avisa aos executivos da Alstom. "Quanto ao
convite aos 'boinas' lhe expliquei que não há nada combinado, que buscávamos
dividir o capital e eliminar ao mesmo tempo um competidor".
"Boina" era a forma como a CAF era chamada na Alstom, segundo o
Ministério Público. Já em outra mensagem, diretores da Alstom relatam que
pretendem juntar todos os concorrentes (CAF, Bombardier, Siemens, MGE, Mitsui e
Tejofran) num “único grupo". Para o promotor Marcelo Mendroni, “as
mensagens contêm provas de fraude e de acerto para evitar concorrência”.
O jornalão da famiglia Frias, que mantém relações carnais com José Serra, evita
fazer qualquer menção crítica ao ex-governador de São Paulo. Mas é evidente que
o “trensalão tucano” envolve importantes integrantes do seu governo. Afinal,
não há corruptor sem corrupto – e vice-versa. Se depender do Judiciário
paulista, sempre tão complacente, e da mídia chapa-branca, sempre de rabo
preso, talvez o grão-tucano nem seja citado nas próximas denúncias criminais.
Mas um dia esta história – como a da privataria tucana e da grana nos paraísos
fiscais dos familiares de José Serra, tão bem descritos no livro de Palmério
Dória – ainda será desvendada!
POESIA SUFI
RUMI
Tem mais poesia sob esse céu do que pensa nossa vã
sapiência. Sufismo é um ramo místico do
Islã. Rumi é um poeta, muçulmano devoto,
professor, teólogo, pregador e jurista, do
século XIII, que viveu onde hoje é a Turquia. O amor desempenha papel
fundamental na visão de mundo sufista, força que leva à unidade e não é dado às
pieguices ocidentais. Aproxima as pessoas nas suas diferenças. Lendo O Cânone Gráfico, descobri esse sujeito.
Uau! Nesse aglomerado que é o meu Eu interior,
Quem sou eu?
Escuta-me.
Sei que estou vagando, mas
não
começa encobrindo essa confusão.
Não diz o que devo fazer.
A
todo momento fico impressionado com
tua história. Ora
ela é feliz e
estou cantando. Ora ele é triste e
estou
chorando. Ela se torna amarga e
eu me afasto.
Mas então tu fazes uma pequena graça e de repente
sou todo luz. Não
é tão ruim
esse arranjo, na verdade.
GLOBOSTA
Do blog Viomundo:
Os repórteres da Globo não circulavam entre a multidão.
Ou, se o fizeram, foi de forma disfarçada.
Havia cartazes variados: contra Aécio, Alckmin e o juiz
Sérgio Moro.
Um único lembrava a morte de Vladimir Herzog pela ditadura
militar, cuja missa foi celebrada na Catedral da Sé.
O tema mais presente na manifestação desta tarde/noite na
praça da Sé, em São Paulo, foi a emissora da família Marinho.
O famoso refrão contra a Globo só foi menos ouvido que o
“não vai ter golpe — e vai ter luta”.
Havia cartazes feitos à mão e impressos. Dezenas deles. Um
orador se referiu à emissora como a “central do golpe”.
E, não é para menos.
A manipulação noticiosa continua acelerada.
Como o jornalista Leandro Fortes denunciou, hoje, em seu
Facebook:
O Globo Esporte mostrou a imagem de três idiotas com nariz
de palhaço que invadiram o treino do Palmeiras com uma faixa louvando Sérgio
Moro para xingar a presidenta Dilma. Mas não mostrou a faixa levantada ontem,
no Mané Garrincha, pelas torcidas do Flamengo e do Vasco contra o golpe e pela
democracia no Brasil. Essa gente não pode vencer.
Estudos Avançados: Saviani analisa a educação como formadora da consciência social
Por Cezar Xavier
O capitalismo instaurou uma era de opacidade nas
relações sociais, que torna inevitáveis os embates de lutas de classe. Este foi
o rumo do raciocínio construído pelo conferencista Dermeval Saviani, ao
encerrar o Seminário de Estudos Avançados do PCdoB, no dia 1º de fevereiro, em
São Paulo. Conduzida para refletir sobre as eleições de 2014 e a consciência
social brasileira, a conferência do pedagogo recorreu à filosofia e ao marxismo
para o desvendamento ideológico dos sistemas econômicos, demonstrando a
importância da educação crítica para formação da consciência social e a ação
política.
Saviani explicou
que refletiu muito antes de decidir pela abordagem escolhida para não “chover
no molhado” ao discutir consciência social e ação política e ideológica. Ele
abriu a conferência afirmando que é o ser social que determina a consciência,
portanto, é necessário compreender a estrutura da sociedade para dimensionar as
condições da consciência que o indivíduo tem de seu lugar no mundo.
O trabalhador não reconhece o produto
do seu trabalho
Deste modo, numa
afirmação própria do marxismo, Saviani afirma que a estrutura jurídica e
política de uma sociedade é determinada pelas suas condições econômicas. A
partir deste pressuposto, ele volta à desconstrução da estrutura do modo feudal
de produção para compreender a condição capitalista da humanidade, surgida em
contradição ao sistema que o antecedeu.
Do modo de produção
feudal, formado por servos/artesãos e senhores, se elevou a estrutura jurídica
e política (nobreza e clero) daquele regime econômico. O aumento da capacidade
de produção de servos e artesãos gerou um excedente, para além das necessidades
de subsistência, que passou a ser trocado nas cidades (burgos). Com o contraste
do papel da burguesia sobre as relações estáticas do feudalismo, as relações
entre servos/senhores e artesãos/mestres tornaram-se entraves para o avanço
econômico, já que as mudanças do campo para a cidade, da troca para o comércio,
da agricultura para a indústria, se tornavam cada vez mais prementes.
É deste modo que as
convulsões burguesas “libertam” os servos e artesãos dos instrumentos de
trabalho que pertenciam aos senhores feudais, e passam a vender sua força de
trabalho aos burgueses. Foi uma transformação lenta que atravessou os séculos
XV e XVII, com o surgimento do iluminismo e o livre exame do protestantismo.
“Em 1848, o Manifesto Comunista celebra os avanços de cinco séculos de capitalismo”,
salienta Saviani.
Embora tenha
libertado a mão de obra da servidão ao senhor feudal, Saviani ressalta que a
burguesia manteve privados os meios de produção, impedindo uma liberdade plena
que o comunismo prometia com o fim da propriedade sobre os meios de produção.
“Foi o início de uma nova era de revolução social, com a finalidade de libertar
as forças produtivas dos meios privados concentrados nas mãos dos
capitalistas”, diz o filósofo.
No capitalismo,
embora o excedente seja sua razão de ser, ele é sempre um entrave econômico.
Para resolver o impasse do excesso produtivo, o regime estimula a destruição da
produção, seja por meio de catástrofes ambientais ou guerras. Saviani ironiza
ao questionar se as manifestações políticas acompanhadas de vandalismo, que a
tática black bloc justifica como anticapitalistas, na verdade não concorreriam
para o avanço capitalista. “Todas as grandes guerras geraram surtos de grande
desenvolvimento capitalista”, descreve ele.
A própria noção da
“obsolescência programada” surge desta necessidade do capitalismo; ou seja, o
produto industrial já é programado para se tornar obsoleto e ser substituído
por um mais moderno, num prazo curto de tempo. “Você vai à assistência técnica,
e o especialista diz que é mais barato comprar uma impressora nova do que
consertar a velha”, diz ele, o mesmo servindo para inúmeros outros produtos
eletrônicos de uso cotidiano.
Saviani cita o
exemplo das lâmpadas, que nasceram com tecnologia para serem eternas. Isto pode
ser perfeitamente comprovado com uma lâmpada dos bombeiros de Livermore, na
Califórnia (EUA), que já funciona desde 1901. Segundo seu relato, em 1924, foi
formado o cartel de lâmpadas para controlar a vida útil deste produto e, então,
Thomas Edison cria a lâmpada com tempo determinado, fixado em mil horas de
duração.
Este descarte
contínuo da produção gera graves problemas ambientais e mantém as forças
produtivas ocupadas com um excedente que só interessa ao capitalista. “Numa
economia socializada, as forças produtivas estariam liberadas para satisfação
de novas necessidades”, sugere Saviani. É o caso das pesquisas de cura de
doenças, cujo resultado é sempre um remédio paliativo para prolongar a vida do
paciente convivendo com a doença, em vez de curá-la.
A partir desta
percepção utópica da economia, Saviani explica porque o capitalismo é a
pré-história da humanidade. Neste regime em que o trabalhador está dissociado
do produto de seu trabalho, ele faz a história sem saber que a faz. Num regime
em que vigore o trabalho livre dos meios de produção privados, o proletariado
faz a história sabendo que a faz. Neste raciocínio encontramos a chave,
proposta pelo filósofo, para a reflexão sobre a consciência social.
A questão da
relação do capitalismo com a natureza também foi tratada, revelando o modo como
ela é vista neste sistema como um produto a serviço do homem. A subsistência
nunca foi vista como um problema para natureza. Em 1876, Engels, parceiro de
Marx nos textos revolucionários, já dizia que os animais transformam a natureza
por viver nela, enquanto o homem a domina e a faz servi-lo, o que a leva a
reagir conforme o abuso humano. “Os europeus não viam que eliminar florestas
para agricultura criava os desertos atuais que avançam sobre os países que
colonizaram”, cita Saviani.
Transparência e Opacidade
Todas essas
contradições capitalistas propiciam o desenvolvimento da luta de classes.
Segundo Saviani, a burguesia vê uma crise econômica, como a que vivemos
atualmente, como um desarranjo e disfunção, que demanda reformas. “A classe
dominada de trabalhadores vê a crise como uma oportunidade para mudança
na correlação de forças”, prescreve ele.
Parafraseando
Lucien Goldman, o filósofo descreve os níveis de consciência como real (aquela
do burguês), a possível (aquela do trabalhador alienado) e a máxima possível,
que só pode ser adquirida pelo proletariado, que projeta um horizonte para a
superação da ordem burguesa. “Os interesses da burguesia a impelem a manter a
ordem capitalista, enquanto os interesses do proletariado os compelem à superação
do sistema”, afirmou.
Engels já observava
que a história desmentiu os revolucionários, ao revelar que o desenvolvimento
capitalista estava muito aquém da necessidade para a supressão da produção
capitalista. “O alemão observou que o amadurecimento das condições
objetivas para a revolução na Europa (um canto do mundo), se confrontava com a
ascensão recente da burguesia no resto do planeta”, diz Saviani, ao sugerir que
as condições para a revolução ainda estão por ser criadas.
Voltando as bases
do Capital, Saviani recupera a lógica de que o proletário não é livre, pois é
proprietário exclusivo de sua força de trabalho, enquanto o burguês é livre por
ter a propriedade exclusiva dos meios de produção e da força de trabalho dos
proletários. Por contrato, o capitalista é dono de tudo que o trabalhador é
capaz de produzir em troca de um salário para consumir aquilo que ele mesmo
produziu.
Do mesmo modo,
Saviani recupera a lógica que define a perda da relação entre o trabalhador e
seu produto. No capitalismo, é a troca que determina o consumo, ao contrário do
feudalismo, em que a troca do excedente vinha depois do consumo para
subsistência. No capitalismo, a troca precede o consumo. “Eu não recebo meu
produto produzido; eu recebo um salário equivalente ao valor da minha força de
trabalho e tenho que comprar o que produzi”, diz o filósofo, lembrando como nos
primórdios do capitalismo, com trocas mais primárias, o homem já começa a se
alienar da lógica que governa as relações econômicas.
É assim que a
produção adquire um caráter fetichista: as mercadorias passam a ter vida
própria e tornam-se misteriosas. Perdemos a percepção de que elas são produto
das mãos humanas. O capitalismo inaugura a “opacidade” nas relações sociais.
“No feudalismo, as relações são transparentes: o escravo é propriedade do
senhor e o servo está submetido ao senhor. No capitalismo, a aparência de
liberdade instala a escravização do trabalhador”, explica.
Surge a diferença
entre aparência e essência, em que o capitalista é livre em aparência e essência,
enquanto o proletário é livre apenas na aparência. O proletário que não
trabalha, morre, ou vive na criminalidade. “É esta opacidade que deu origem aos
embates da luta de classes”, afirma Saviani.
Educação, avanços e retrocessos
liberais
O liberalismo
burguês favoreceu a correlação de forças do proletariado. A conquista do
sufrágio universal, leva os proletários a usar a luta parlamentar como
ferramenta de conquistas, por terem construído uma forte representação nas
eleições. Mas a burguesia também se adapta aos embates, transformando o
liberalismo. Em 1848, a indústria bélica e a estrutura urbana se alteram para
inviabilizar a luta de barricadas, comum na Paris de vielas propícias à
emboscadas populares. As grandes avenidas surgidas das reformas burguesas de
Paris, tornaram-se perfeitas para tanques e canhões de longo alcance que
eliminaram a hipótese das barricadas proletárias.
Marx acreditava que
as crises sucessivas acabariam criando as condições objetivas para superação do
capitalismo. Keynes, então, inventa os mecanismos liberais para, se não evitar
crises, encontrar condições para superá-las, por meio de intervenção de estado.
Foi o que tornou a Europa um exemplo de estado de bem estar social, para
enfrentar o comunismo que avançava a partir da União Soviética.
Hayek foi o
economista radicalmente contra a intervenção do estado na economia. Agraciado
em 1974 com o Nobel, seu modelo foi implementado no momento em que a crise será
gerenciada sem intervenção do estado. Saviani retoma os elementos da crise que
deixou impactos profundos na atualidade, em particular na gestão da atual crise
financeira internacional, em que a intervenção do estado garante a salvação dos
bancos para evitar o colapso financeiro.
Como educador
célebre que é, fundador da Pedagogia Histórico-Crítica, Saviani não poderia
deixar de prescrever a educação escolar, como fazia Gramsci, como o meio mais
adequado para a apropriação dos trabalhadores das conquistas do conhecimento e
o desenvolvimento da consciência crítica.
A mais-valia é
resultado da produção do proletariado e configura um trabalho não pago. Por
isso, as ações de massa devem ser orientadas o máximo possível para a
consciência de pertencimento à classe. “Nas eleições, mesmo os partidos
progressistas dizem que os empresários são o setor produtivo, geram empregos e
renda”, ironiza ele, revelando o modo como a ideologia se naturaliza entre os
trabalhadores.
“O capitalismo,
apesar de todas as suas misérias, engendra as condições para a transformação do
sistema”, diz Saviani. Analisando com perspicácia o funcionamento do sistema,
como fez Marx, a luta proletária deveria buscar a abolição do sistema de
trabalho assalariado, e não lutar por “salário justo, por jornada justa”. “Os
movimentos sociais são conservadores, pois buscam assegurar espaço (direitos)
nessa sociedade capitalista, e não a ruptura com ela”.
Voltando a sua área
de atuação, Saviani mostra que o Movimento Todos Pela Educação, por exemplo,
que até setores de esquerda embarcam em sua propaganda, é um movimento social
dos empresários. São fundações, empresas e bancos que interferem claramente nas
políticas educacionais.
Por outro lado, ele
avalia que o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), “constitui um
germe da sociedade socialista, animando para novas conquistas”, ao arregimentar
grande número de famílias para ocupações. Segundo ele, o MST era um movimento
conservador de perdedores de sua terra que voltavam para recuperá-la. “Hoje é o
movimento social que mais avançou e mantém a perspectiva socialista”, opina o
filósofo, ao citar a criação da escola de formação Florestan Fernandes, como um
exemplo da consolidação dessa perspectiva socialista.
Após os comentários
da plateia, Saviani deu continuidade à conferência avançando no tema. Ele
aproveita a questão sobre o pós-modernismo, para defini-lo como um “grande
aparato ideológico”, na defesa de interesses que levam à distorção sobre a
noção de verdade/realidade.
Resgatando o
realismo ingênuo do filósofo Santo Agostinho, em que o critério de verdade era
a evidência objetiva que se impõe ao sujeito, ele avança para o idealismo
kantiano, em que o racionalismo define verdade como conhecimento a partir das
ideias inatas. Em seguida vem o empirismo de Hume, em que o conhecimento é a
experiência vivida, e finalmente a autocrítica de Kant ao descobrir a
impossibilidade da metafísica com sua crítica da razão pura. Não há
instância de decisibilidade na razão pura: Deus existe? O homem é livre? A alma
é imortal? Eram estas as grandes questões da filosofia. É quando se define que
as únicas ciências são a Matemática, que cria conceitos e a Física, que os
descreve.
A filosofia moderna
elabora então a síntese em que o real e o ideal são dois elementos que se
articulam. Hegel estabelece a contradição como categoria lógica, que era
expulsa até então. Marx, então, inaugura a filosofia contemporânea com o
realismo crítico. “Porque a realidade existe independente do pensamento, o que
é uma crítica da realidade como fruto do pensamento”, demonstra Saviani.
Na pós-modernidade,
estaríamos vivendo numa sociedade que levanta problemas que não é capaz de
resolver. “Vem a concepção de irracionalismo, que já havia sido levantada no
século XIX”, diz Saviani. O filósofo então, passa a demonstrar que em períodos
progressistas, tende a predominar a indução, enquanto em períodos de fecho de
uma forma social tende a prevalecer o dedutivismo. A indução não traz a
verdade, mas gera conhecimento, enquanto a dedução garante a verdade, mas não
faz avançar o conhecimento, porque, segundo Kant, são juízos analíticos e não
sintéticos.
Ele cita uma
dedução lógica básica, de que todo homem é racional, portanto, Pedro sendo
homem, é racional. A dedução é justificadora da premissa, não acrescenta nada à
premissa. Saviani mostra como a burguesia, sendo o novo na sociedade, derrotou
o velho e o novíssimo (descrito aqui como sendo a Comuna de Paris). Isso,
porque a burguesia permite avanços, mas provoca retrocessos: como quando tira a
educação das mãos de jesuítas para evitar um conservadorismo de cunho religioso
na formação da sociedade, mas depois devolve, para conter o avanço das lutas
proletárias, numa aliança entre igreja e burguesia.
Com isso, entre
1780 e 1840, ocorre a consolidação da burguesia industrial. A partir daí, ela
não tem mais argumentos para justificar seus avanços e passa a se apoiar em
argumentos irracionais. “Descobrir o novo é superar a ordem, então o objetivo
da educação passa a ser justificar a ordem”.
Saviani afirma que
a educação é própria do homem, e nasce com seu surgimento. Ele também diz que o
homem é um ser histórico, portanto não incorpora avanços na genética. “As
crianças selvagens comprovam isso, ao se tornarem completamente animalescas ao
perderem o contato com a educação humana”.
Especialista na
história da educação, Saviani aproveita a noção de que a educação coincidia com
o processo de trabalho, até um certo ponto, prescindindo da alfabetização, por
exemplo. A educação só se generaliza, efetivamente, como necessidade no
capitalismo, já que a escrita incorporada precisa da alfabetização.
“O capitalismo
generaliza a educação, mas tem uma relação complicada com a escola. O saber
também é um meio produtivo, portanto o trabalhador deixa de ser proprietário
apenas da sua força de trabalho, para ser dono de um meio produtivo.”
É por esse motivo,
por exemplo, que Adam Smith defende a educação em “doses homeopáticas”, ao
admitir apenas o conhecimento necessário para a produção capitalista. Educar é
mais que instruir. Instruir é apenas apreender conceitos. “Só instruir é
mutilar o educando”, cita Saviani. Mas isto precisa ser compreendido
dialeticamente, pois educar precisa envolver instrução. “A educação de
qualidade é uma luta contra toda essa facilitação que predomina, inclusive na
Europa, após o Protocolo de Bolonha, que visa reduzir a educação ao padrão
americano. Vivemos esse momento de descenso”, lamentou.
Saviani encerra sua
conferência exemplificando essa dialética entre instrução e educação, com o
simples aprendizado do latim, que se revelava uma forma de se apropriar de um
conhecimento sobre “como nasce, floresce e fenece uma civilização”.





