
Por Altamiro Borges
A Justiça de São Paulo, que não é das mais isentas e ágeis, finalmente aceitou
denúncia criminal contra o cartel de trens em São Paulo – também batizado de
“trensalão tucano” – e transformou em réus cinco executivos da multinacional
francesa Alstom e dois da espanhola CAF. Segundo o Ministério Público, eles teriam
participado de fraudes em licitação de R$ 1,8 bilhão em 2009 e 2010, durante a
gestão do hoje senador José Serra (PSDB) à frente do governo paulista. A
decisão foi tomada pela juíza Rosane Cistina de Aguiar Almeida nesta
segunda-feira (28).
A Folha informa que “um dos indicadores da fraude na
licitação, segundo o promotor Marcelo Mendroni, foi o preço apresentado pela
CAF, que concorreu sozinha e venceu a disputa. O preço ofertado tinha uma
diferença de 0,0099% em relação ao valor de referência, o montante fixado pela
Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CPTM) como o preço máximo que
seria aceito. Outros indícios de fraude foram encontrados em e-mails trocados
entre os executivos. Um deles, do então diretor da Alstom, Cesar Ponce de Leon,
diz o seguinte a outros executivos da multinacional francesa em setembro de
2009: ‘Necessitamos saber para amanhã quais são as mudanças que estão
acontecendo nos acordos’”.
Em outro e-mail, Ponce de Leon avisa aos executivos da Alstom. "Quanto ao
convite aos 'boinas' lhe expliquei que não há nada combinado, que buscávamos
dividir o capital e eliminar ao mesmo tempo um competidor".
"Boina" era a forma como a CAF era chamada na Alstom, segundo o
Ministério Público. Já em outra mensagem, diretores da Alstom relatam que
pretendem juntar todos os concorrentes (CAF, Bombardier, Siemens, MGE, Mitsui e
Tejofran) num “único grupo". Para o promotor Marcelo Mendroni, “as
mensagens contêm provas de fraude e de acerto para evitar concorrência”.
O jornalão da famiglia Frias, que mantém relações carnais com José Serra, evita
fazer qualquer menção crítica ao ex-governador de São Paulo. Mas é evidente que
o “trensalão tucano” envolve importantes integrantes do seu governo. Afinal,
não há corruptor sem corrupto – e vice-versa. Se depender do Judiciário
paulista, sempre tão complacente, e da mídia chapa-branca, sempre de rabo
preso, talvez o grão-tucano nem seja citado nas próximas denúncias criminais.
Mas um dia esta história – como a da privataria tucana e da grana nos paraísos
fiscais dos familiares de José Serra, tão bem descritos no livro de Palmério
Dória – ainda será desvendada!


0 comentários:
Postar um comentário